
Liderar uma empresa não é apenas tomar boas decisões, mas assumir integralmente as consequências delas, inclusive quando algo dá errado. Em ambientes empresariais cada vez mais complexos, erros operacionais são inevitáveis. O que diferencia líderes responsáveis de gestores frágeis não é a ausência de falhas, mas a disposição de enfrentá-las sem recorrer a desculpas, terceirização de culpa ou vitimização. A responsabilidade individual começa exatamente no ponto em que termina a busca por justificativas externas.
Estudos da Harvard Business Review indicam que organizações com maior clareza de accountability e governança interna tendem a responder mais rapidamente a falhas operacionais, reduzindo impactos financeiros e riscos institucionais. Nesse contexto, liderança deixa de ser discurso e passa a ser prática cotidiana.
Entre as competências de maio de 2025 e dezembro de 2025, ocorreu um erro operacional relevante: tanto a plataforma de vendas quanto o sistema de pagamento passaram a emitir notas fiscais referentes às mesmas operações. Na prática, isso significou que um faturamento real aproximado de R$ 150.000 em consultorias foi registrado fiscalmente como R$ 300.000. Embora o valor duplicado jamais tenha ingressado no caixa da empresa, ele foi considerado como receita tributável para fins de apuração do Simples Nacional. O erro não foi identificado imediatamente. Ele só veio à tona em janeiro de 2026, no momento de conferência detalhada do cálculo dos impostos recolhidos. A forma como a situação foi conduzida após a descoberta do problema é o ponto central deste case.
Ao identificar a inconsistência, as três sócias da empresa atuaram de maneira imediata e coordenada. Não houve busca por culpados externos, nem transferência de responsabilidade para fornecedores, sistemas ou terceiros.
Ações e Responsabilidades
Cada sócia assumiu, de forma objetiva, uma frente de atuação:
Em paralelo, os fluxos operacionais foram revisitados. As responsabilidades foram redistribuídas com mais clareza, e foram criados mecanismos de verificação para evitar que erros semelhantes voltem a ocorrer.
Este caso ilustra, de forma concreta, o princípio da responsabilidade individual.
A decisão de mudar o modelo de negócio foi livre. O erro operacional foi uma consequência possível dessa escolha. E a resposta ao erro foi assumir integralmente seus efeitos, corrigir os processos e fortalecer a estrutura da empresa.
Não houve apelo à vitimização, nem tentativa de relativizar o impacto financeiro do problema ou negar a falha; houve ação.
Além disso, a empresa não buscou atalhos, não ignorou a obrigação fiscal e não tratou o problema como algo “menor”. Ao contrário, tratou a questão com seriedade, transparência e respeito às regras vigentes.
Por fim, o episódio evidencia uma compreensão madura da economia de mercado: empreender envolve risco, e o risco exige governança, controles e líderes dispostos a responder pelas próprias decisões.
Liderança e Responsabilidade
Liderança empresarial não se manifesta na ausência de erros, mas na forma como eles são enfrentados. O caso demonstra que liberdade sem responsabilidade gera fragilidade, enquanto liberdade acompanhada de responsabilidade fortalece a empresa e seus líderes.
Para jovens lideranças, o aprendizado central é claro: crescer exige autonomia, mas permanecer sustentável exige assumir as consequências, corrigir rotas e fortalecer processos. Esse é o caminho da liderança responsável em uma economia livre.
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